sábado, 13 de novembro de 2010

MEU OUTRO ENDEREÇO - AVISO

Este blog conteve meu PA.

Para o acompanhamento dos PA's dos alunos, foi criado um novo endereço:

http://acompanhandopellegrino.blogspot.com

Todo o registro desta fase está sendo realizado naquele endereço.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Por que contos de fada são famosos até hoje?

(ou: "fadas arquetípicas e a atualidade de seus contos")

Uma outra coisa que encontrei desde as primeiras pesquisas deste projeto foram trabalhos sobre os contos de fada e a formação da estrutura psicológica. Após tanta pesquisa, acho que entendi mais ou menos o por quê...

Não se trata do foco deste trabalho, mas acho interessante dar pelo menos uma pincelada no assunto antes de concluir a pesquisa. Assim como as características estruturais do Propp, os aspectos metafóricos dos contos de fada parecem ser determinantes na sua definição - pelo menos, é um ponto comum entre todos eles. Tanto quanto o fantástico das narrativas.

Achei até uma teoria sobre a formação (metafórica) dos contos de fada, influenciada pela obra do C. Jung (um dos primeiros a estudar o papel do inconsciente nas pessoas e na formação de sua psiquê, junto de Freud).


"A origem dos contos de fadas, segundo Marie Louise Von Franz , parece residir em uma potencialidade humana arquetípica (aliás, não somente os contos de fada, como todas as fantasias). Antigamente os pastores, lenhadores e caçadores, passavam bom tempo de suas vidas sozinhos nas florestas, campos e montanhas. Acontecia que repentinamente eram assaltados por uma visão interior muito forte, que os alvoroçava por inteiro. Corriam então de volta a suas aldeias e relatavam o que lhes tinha acontecido a todos que o quisessem ouvir. Daquela visão inicial, iam-se formando lendas, e mais tarde “contos maravilhosos”. O pensamento mítico, no caso dessas visões espontâneas, é compreendido como um pensamento essencialmente pré-lógico, elementar e arquetípico. Os arquetípicos por definição, são fatores e motivos que ordenam os elementos psíquicos em imagens, de modo típico."

Arquétipo é uma coisa complicada mas, grosso modo, seriam a personificação de algum impulso natural do ser humano, a tendência a fazer ou não alguma coisa (como um inconsciente coletivo), inerente à todos. Segundo entendo, os contos de fada se originam eles mesmos destes arquétipos, inconscientemente representando-os em seus personagens... e daí o fascínio que exerceriam.


"Como afirma Jung , os contos de fada constituíram através dos séculos instrumentos para a expressão do pensamento mítico, perpetuando-se no tempo por desempenharem uma função psíquica importante relacionada ao processo da individuação: através deles toma-se consciência e vivencia-se arquétipos do inconsciente coletivo. Esses arquétipos, por sua vez, ao serem trazidos à consciência e dramaticamente vivenciados permitem a Psique cumprir as etapas de integração progressiva do desenvolvimento da persona, conscientização da sombra, confrontação com a anima / animus e outros arquétipos, e finalmente atingir um estado onde a comunicação Ego-Self seja fluente e criativa."


Individuação é o processo no qual cada um consegue se firmar como um entidade que é parte de um todo, mas única dentro dele.

Os contos de fada, como representações destes arquétipos, ajudariam a criança (principalmente) a lidar com ele e desenvolver mais satisfatoriamente o contato com estas suas facetas interiores (leia aqui a descrição sobre alguns dos arquétipos de Jung). Não foram pensados com esta função mas a atenderiam, inconscientemente.

O que explicaria seu sucesso e identificação com as criança
s (não só) com estes textos. E possivelmente a sua sobrevida, tanto tempo depois dos irmãos Grimm. Afinal, há que se ter algum motivo para a identificação e apreciação de histórias que não contam com elementos contemporâneos e que jamais parecem datadas (possivelmente por essa eterna presença de arquétipos em todos nós).

"Os contos de fadas são narrativas simbólicas extremamente simples, primitivas, capazes de transmitir experiências subjetivas complexas e vivências emocionais delicadas às pessoas mais ingênuas e às crianças."

As ditas semelhanças estruturais também possuem uma semelhança gritante com a Jornada do Herói, a jornada cíclica presente em todos os mitos e que seria uma mescla entre os ditos arquétipos e os ritos de iniciação - que configuram a passagem para outra etapa da vida e que, psicologicamente, servem como marco do fechamento de um ciclo individuação. (leia sobre ritos e iniciação. Aqui há um artigo antropológico que ajuda na questão também).

Repetindo, como contos orais, estas características podiam não ser necessariamente pensadas, mas se encontravam presentes nos contos de fada "clássicos" desde o princípio. O recolhimento das características morfológicas deles tem, sim, relação com estes pensamentos.

Quem diria que o trabalho começaria gramático e terminaria com estudos de psicologia... mas é uma questão central para os contos de fada. Mereceria um maior aprofundamento e estudo, que não cabe neste blog por escapar à sua proposta inicial, que acredito estar satisfeita.

Leia aqui alguns artigos sobre os contos de fada e a sua relação com a psicanálise:
(utilizados também para a elaboração deste texto, integral e parcialmente)

Pulsão oral e contos de fada
A verdadeira moral da história (da Superinteressante, é um apanhado introdutório)
Contos de fada na escola (reportagem superficial)
O papel dos contos de fada (já linkado, mas repito aqui pelo contexto)
Contos de fada ensinam (...) a lidar com seu medo
Contos de fada: (...) metáforas da vida humana (com uma tabela legal do simbolismo n'A Bela e a Fera)
Fantasia e os contos de fada
Psicanálise e contos de fada (um artigo da Marilena Chauí, não o livro)
Quem quiser que conte outra (review de uma exposição que conta com um relato sobre como as mudanças dos Grimm e outros não modificaram a essência das histórias)


Talvez alguns outros tenham sido lidos durante o andamento do blog, mas para o estudo específico da questão não foram consultados.



Deu muito trabalho fazer essa pesquisa, mas gostei bastante de todo o caminho e do resultado final! Muitos outros pontos poderiam ser aprofundados, porém acredito que O QUE É UM CONTO DE FADAS eu já descobri. E sequer imaginava qualquer coisa a esse respeito, muito menos o que acabei descobrindo! Foi bem divertido.

Achei interessante a quantidade de artigos pertinentes que encon trei disponíveis na rede - uma gama de revistas, ensaios e publicações de faculdades. Nem só de wikipedia vive a internet! Embora, para ser justa, tudo que li dela se verificou em outras fontes (acho que basta algum cuidado com ela).

Mas, depois dessa pesquisa, acho que meu encantamento pelos contos de fada aumentou ainda mais... e encontrei uma série de indicações de livros que vou ver se consigo ler (mulheres que correm com os lobos, a psicanálise dos contos de fada e a série he-she-we, de início).

Até mais ver...

Um beijo!

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Os irmãos Grimm,Perrault & Andersen

Jacob e Wilhelm Grimm
[ BIOGRAFIA ]

Como minha pesquisa acabou me jogando para esses lados, fui pesquisar um pouquinho sobre os irmãos Grimm, o pessoal que "escreveu" (no papel) muitos dos propriamente ditos "contos de fada". Perrault e Andersen foram outros nomes encontrados pelo caminho - seriam a "trindade" da literatura infantil?

Os irmãos Grimm (de uma dificuldade estarrecedora de encontrar graças às mil entradas sobre filme homônimo) viveram na Alemanha, por volta do século XVIII. Se dedicaram à registrar as histórias da tradição oral germânica (um dos povos celtas), para reconstituir um passado de origem "medieval" e encontrar um espírito único para seu povo. Este espírito seria registrado e perpetuado através dos textos eternizados em livros (além de dar uma pista sobre a formação da língua alemã, já que eram orais).

Segundo este site, nenhuma das histórias eram propriamente contos de fada. De acordo com a minha pesquisa, isso não é verdade - muitas de suas histórias são a própria definição clássica deles. Por outro lado, isso explica porque naquela lista tinha absurdos como "Frederico e Catarina" listados.

Acredito que estes contos não foram registrados como tal na ocasião, mas com a criação da categoria se encaixem perfeitamente (ainda que não todos eles).
Segue também algumas características da tradição oral que aparecem em todos os contos de fada, o que evidencia que esta é mesmo a origem da coisa toda:

"A característica básica de tais narrativas (qualquer que seja sua espécie literária) é a de apresentar uma problemática simples: um só núcleo dramático.

A repetição, ou reiteração, juntamente com a simplicidade de problemática e da estrutura narrativa, é outro elemento constitutivo básico dos contos populares. Da mesma forma que a elementaridade, ou simplicidade da mente popular, ou da infantil, repudia as estruturas narrativas complexas (devido à dificuldade de compreensão imediata que elas apresentam), também se desinteressam da matéria literária que apresente excessiva variedade, ou novidades que alterem continuamente as estruturas básicas já conhecidas."

Muitas das características estão aí. Vem da tradição oral.

De acordo com este texto, os irmãos Grimm foram extirpando os conteúdos "indesejados" dos contos populares (ainda que restem alguns vestígios, sempre) de acordo com algum tipo de pressão popular (e olha que eles já não eram puros, pois a cristianização deve ter mudado mais coisas além da cara das fadas). Este site aqui também corrobora a informação, além de dizer que uma tal Baronesa d'Aulnoy também ajudou no processo. Nunca tinha ouvido falar dela, mas parece que foi quem escreveu A Bela e a Fera e a Cinderella (não consegui averigurar se de próprio punho ou modificando, como os Grimm).

Parece que foi ela também que iniciou a "infantilização" das histórias, que os Grimm protagonizaram depois:
"Antigamente, o público adulto era tão grande, senão maior, quanto o público infantil desses contos. A sua difusão para crianças começou por meio dos précieuses (francês para preciosos), contos de fadas muito comuns na Renascença Francesa e que eram dirigidos à nobreza feminina, mas que servas ou outras mulheres de classe baixa também contavam às crianças. Deste modo, a popularização dos Contos entre as crianças foi aumentando. Muitos dos escritores dos preciosos começaram, portanto, a escrever com base no público infantil, ou a modificar outros contos para se adequar ao universo infantil. Os próprios Irmãos Grimm dedicaram-se muito a esse ofício, sendo que uma das suas principais cruzadas foi a eliminação de elementos sexuais dos antigos Contos de Fadas. Os Irmãos Grimm compilaram sua obra na forma de um livro chamado Children’s and Household Tales (algo que poderia ser traduzido como “Contos Domésticos e para Crianças“), demonstrando qual era, de fato, seu público alvo."
Daí que temos também outros nomes... como Perrault, um autor francês que viveu um século antes (suponho que seja o predecessor menos famoso dos Grimm) e coletou diversos contos reunidos no livro da "Mamãe Gansa", personagem que se tornou folclórica.
(leia mais)

Ou o Hans Andersen, um dinamarquês do século XIX. Parece que foi o último dos "grandes" desse tipo de literatura. Esse sim coletou alguns contos e escreveu outros de sua própria autoria. Foi o primeiro a colocar, proprositadamente, uma idéia de "educar" através das histórias, sugerir comportamentos e coibir a moral (é o autor dos já citados Soldadinho de chumbo e a pequena sereia). Como escrevia direto para elas, é considerado o "pai" da literatura infantil (eu não sabia!)
(leia mais)


TROCANDO EM MIÚDOS...

No final, parece que os Grimm são mais famosos, mas não são solitários.

Escrever os "contos de fada" como são hoje foi um trabalho iniciado por Charles Perrault, continuado pelos Grimm e concluído por Andersen.
Todos eles se dedicavam aos registros da tradição oral do povo e, no meio do caminho, encontraram no público infantil seu alvo, talvez pela similaridade entre a memória popular e a das crianças. Entre muitos contos avulsos, há também aquilo que julgamos classificar como "contos de fada", de acordo com aquele meu primeiro post. Não encontrei indício nenhum sobre eles mesmos classificarem a história assim (no máximo a baronesa que deu este nome para seus contos porque em um deles aparecia uma fada, Mira). Por isso, suponho que se trate de uma definição posterior.

Uma baseada no Propp e em toda uma análise dos elementos estruturais e metafóricos das histórias.

Me lembro que precisava aprofundar a questão metafórica deles... talvez seja a hora. Pistas eu tenho várias, pela infinidade de sites sobre que encontrei acidentalmente no decorrer da minha pesquisa aqui postada.

Os tais "contos de fada" foram pegos nessa confusão de Grimm, Andersen e Perrault, extirpados de outras histórias deles mesmos por algumas características especiais que talvez escapassem à eles mesmos na ocasião... pois nenhum deles designava assim as histórias, pelo que pude pesquisar.

Quem imaginaria essa confusão nos contos de fada? Eu não!


Curiosidade: todos os contos dos irmãos Grimm, em inglês.

A origem SINISTRA dos contos de fada

Na minha pesquisa pelos contos de fada, encontrei várias coisas interessantes...

Primeira: acho que descobri porque aquela lista lá de baixo está meio incompleta: aparentemente, foi baseada exclusivamente nos livros dos irmãos Grimm, autores responsáveis por divulgar amplamente suas versões das antigas histórias derivadas dos celtas.

(confira a seguir um post sobre eles)

Segunda: essas histórias eram, antes... simplesmentes HORRENDAS.

Quando célticas, essas histórias justamente não tinham o caráter infantil e nem a função de entreter as crianças. Eram histórias adultas, cujos elementos fantásticos não excluíam esse aspecto mais cruel e "gore". Claro que as irmãs de Cabeça Pequena mataram a própria mãe, e ela usou um ardil muito semelhante ao do Pequeno Polegar para salvar sua pele (inclusive resultando no infanticídio também), mas ainda assim... a coisa parece muito menos trágica. Talvez pelo costume, ou pela suavidade do final feliz. Não sei.

Mas vê só:

- A Chapeuzinho Vermelho foi forçada a, literalmente, comer a avó e beber seu sangue. E o lobo se deu bem;


- João e Maria tem demônios que pretendem estripar o pobre João no enredo e/ou as crianças decaptam a bruxa, ao invés de simplesmente jogá-la no forno (o que já era malvado);

- As irmãs feias da Cinderella cortam pedaços do próprio pé para ver se entra no sapatinho (claro que o príncipe nunca ia perceber), e no final tem os olhos perfurados por passarinhos,

- A Bela Adormecida consegue engravidas e ter filhos enquanto dorme (!!!!!!!!!!) e, além disso, a sogra simplesmente tenta comer (ao pé da letra) os netinhos bastardos quando descobre. Depois tentam salvar a pele delas;

- A Branca de Neve, delicadíssima, coloca sapatos de ferro em brasa na madrasta para que ela dance até a morte;

- E a Pequena Sereia... morre... no final... e o príncipe fica com outra. Mas, convenhamos, essa é fichinha perto do resto. Além disso, acho que nem é um conto de fadas de verdade... é um conto do Andersen que consideram como tal, que nem o soldadinho de chumbo (que também morre. E a pequena vendedora de fósforos. Note um padrão).


Entre outras pérolas. Noto que eram tenebrosas e, pra ser muito sincera, não muito "de fadas" (ao menos não no sentido que eu mesma pesquisei). Acho que minhas histórias celtas já estavam um pouco filtradas destas...

E acredito também que os "contos de fada" propriamente, inclusive com aquela estrutura narrativa semelhante e tal, seja um fruto da criação principalmente dos irmãos Grimm, mas também do Perrault e outros. Segundo minhas leituras, foram eles que registraram em papel as histórias da tradição oral - aí já temos um ponto.

Mas, além disso, parece que nesse registro muitas coisas foram alteradas, e essas alterações é que fazem parte do inconsciente coletivo hoje em dia. Daí que aquela lista se baseie em muito neles, e a "diferença" com os meus contos celtas originais. Houve todo um filtro, e aquilo que hoje chamamos de "contos de fada" foi uma construção bem posterior.

Que coisa, não?

Aqui embaixo vão os links para quem quiser saber mais sobre o passado sangrento dos contos da carochinha:

Os verdadeiros contos de fada (este site eu NÃO DARIA BOLA se não confirmasse em outros)
Origem Sangrenta (da editora abril, parece que a superinteressante falou disso já, mas não achei)
Quem tem medo do lobo mau? (também da Abril, mas de outra revista)

E aqui o lugar de onde tirei a Cinderella macabra. Tem de todas as Princesas Disney!

Aqui a original, pra quem esqueceu:


sábado, 10 de julho de 2010

Alguns contos de fada

Com alguma dificuldade, encontrei um jeito de fazer a tal "lista de contos de fada" que eu propus, para verificar em qual deles aparecem fadas e/ou destino predeterminado.

Dos meus livros de papel, infelizmente, nem sinal ainda...

Após navegar por diversos sites com alguns exemplos ou apenas citações, encontrei aqui alguma coisa mais próxima ao que eu queria. A autora classifica os contos entre os que envolvem animais, as anedotas e os "propriamente ditos" (?). De qualquer forma, antes isso que ir de memória, não é?


LISTA DE CONTOS DE FADA

Para elaborar esta lista, me baseei quase que integralmente no site acima. Não transcrevi ipsis litteris (ao pé da letra) porque, bem, a listagem original está ali em cima para quem se interessar. Ao invés disso, fiz um agrupamento mais prático, usando també averiguações pessoais e descobertas enquanto procurava os contos em si para linkar:
Sobrenatural / Animais falantes - que me parecem mais fábulas, aqueles contos com moral no fim. Por exemplo O lobo e os sete cabritinhos (no qual ele morre ao final) ou Os músicos de Bremen (os avós dos Saltimbancos do Chico Buarque).

Não sei por quê de fadas -
como por exemplo "Frederico e Catarina", uma história que eu conhecia da já citada coleção do Cículo do Livro mas nunca achei que fosse um conto de fadas (dá uma lida).
A bem da verdade, acho que a definição aí está errada. Diz a lista que é uma "facécia", uma história de humor... mas apesar de até combinar com alguns contos celtas, eu não sei não.

Contos sobrenaturais com humanos
- João e Maria, Rapunzel, A princesa e o sapo, A Bela Adormecida, Chapeuzinho Vermelho, Pele de Asno (nossa, nem lembrava desse! Mas ele tem coisas horríveis) , Branca de Neve e Rosa Vermelha (não se esqueçam da irmã! Não encontrei a história pela web, mas tem sites como este que mostram que existe. E eu já li, me lembro bem que no final aparece do nada um príncipe gêmeo, Ana Bolena adoraria), Rumpeltiltiskin, A Princesa e a Ervilha, Cinderella (que chama Gata Borralheira), Branca de Neve (agora sem a irmã), os três cabelos de ouro do diabo, as doze princesas, os sete corvos - entre outros exemplos.

Claro que a lista está incompleta (só de cabeça me lembro da Pequena Sereia, da guardadora de gansos e do João e o Pé de Feijão que me parecem tão contos de fada quanto os acima!). Porém, acho que serve para um começo de conversa. Ainda aparecem muitos dos "medalhões", ali... (

Da lista acima, vejamos. Dá pra ver uma associação clara entre as histórias e as outras que eu li nos contos celtas, ainda que - veja que curioso! - as histórias que hoje são propriamente contos de fada sejam muito menos parecidos que os demais (histórias com animais falantes tipo os sete cabritinhos sempre há, mas princesas no modelo destes contos é raríssimo).


A história do Frederico e da Catarina é bem parecida com alguns contos celtas, mas porque é que chamam "de fadas" eu não entendi. Acho que o site classificou errado, isso sim - porque não tem magia nem nenhuma daquelas características estruturais de antes. Ou então, eu que não entendi nada. Acho que preciso investigar mais esse ponto...


Mas dos "contos com humanos" é bem verdade que há magia em todos eles e em boa parte dos mesmos há fadas (como em Bela Adormecida, Gata Borralheira ou Pele de Asno) e em muitos deles há, se não fadas, ao menos a idéia de destino inevitável - como na Branca de Neve (destinada a aguardar o beijo), nos Sete corvos (cuja irmã tem a missão de desencantá-los e, inclusive, se parece muito com os filhos-cisnes de Lir) ou no Rumpeltiltiskin, cuja rainha precisa lutar contra a entrega de seu filho ao duende.

Acho que nesse ponto está tudo certo!

As fadas, se são espíritos da natureza originalmente, com toda a certeza podem ser associadas a elementos sobrenaturais... e isso, essas histórias tem de sobra!


Nem todas tem a presença do destino, mas a maioria delas sim - destino propriame
nte, ou siplesmente algo que independe dos protagonistas. O que todas elas tem, com toda a certeza, são aqueles elementos estruturais que listei lá no começo. E muitas coisas parecidas, o que é meio óbvio depois que descobri que todas tem origem no mesmo lugar e do mesmo povo (fora a estrutura oral, que facilita lembrar e contar).

Acho que descobri porque nunca encontro a tal Princesa do Papagaio e nem a Branca Flor nessas listas... não são contos com esse tipo de origem, são do Brasil, então estariam ma
is pra uma apropriação (tipo um Shrek) do que para um conto de fadas tradicional. Não encontrei nada que corrobore, mas faz sentido pela pesquisa até agora, não é?

Acho que não me satisfiz muito com essa pesquisa... além da dificuldade, me pareceu meio sumário. Preciso ver mais além...

Quem diria quanto há por trás daquelas histórias tão bobinhas que todo munsa sabe, mas nem lembra onde aprendeu!

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Curiosidade - Fábulas (HQ)

Branca de Neve, João (do pé de feijão?) e o menino e os lobos

Ainda não encontrei a lista dos contos de fada (acho que vou acabar listando alguns de memória e verificando se são contos de fada mesmo), mas olha que coisa legal eu achei!

Um tal de Bill Willingham também é fã de contos de fada, e publica uma série de histórias em quadrinhos baseadas neles... mas só baseadas! Ele usa os personagens dos contos de fada como se tivessem caído no nosso "mundo real" de hoje. Tem intriga, política, morte... toda uma releitura deles. É dos Estados Unidos, mas parece que sai de vez em quando por aqui.

Eu fiquei muito curiosa! Se encontrar por aí, vou ler com certeza!

Tenha uma idéia sobre o que se trata:

http://pt.wikipedia.org/wiki/F%C3%A1bulas_%28Vertigo%29


http://comicpod.com/hqview-fabulas-%E2%80%93-volume-4-a-marcha-dos-soldados-de-madeira/

http://olivreiro.com.br/livro/704210-fabulas-a-revoluaao-dos-bichos

http://olivreiro.com.br/livro/1897284-fabulas-o-livro-do-amor

Alguns contos de fada celtas

Conforme prometi aqui, vai uma lista dos "contos de fada" que constam na coletânea de contos do povo celta. Foi com aspas porque, pelo que minha pesquisa mostra, eles são os pais, não exatamente os contos de fada em si. Mas falo mais sobre isso no final:

Os filhos de Lir - conta a história dos dito-cujos, filhos de um rei que são amaldiçoados e transformados em príncipes. No final, eles são destransformados, mas... morrem a seguir. Ahn.

Jack, o ladrão esperto - é a história de um rapaz muito esperto, que vence diversos desafios (como consgeguir um cavalo ou carneiros - valendo-se de sua inteligência para elaborar uma série de truques como fingir-se de enforcado e, no final, casa-se e vive feliz para sempre.

Powel, o príncipe de Dyfed - conta a vida do próprio, a partir do momento que se apaixona por uma mulher misteriosa que aparece na colina mas que nenhum cavalo é capaz de alcançar enquanto anda (o assunto é resolvido quando Powel pede a ela que pare, por favor).

Paddy O'Kelly e a Doninha - Paddy encontra uma doninha que, na verdade, era uma bruxa. Por conta dela faz amizades com duendes e obtém objetos como um saco de ouro que jamais se esvazia ou um jarro que jamais seca. Vive feliz para sempre.

O Cavalo Negro - de três príncipes herdeiros, o mais novo fica com apenas um burro velho, e o troca na estrada pelo Cavalo Negro que ninguém quer. Mas trata-se de um cavalo encantado, com o qual o príncipe cumpre muitas missões complexas como trazer uma taça de prata que está depois de uma montanha de fogo e uma montanha de neve. Por fim, o príncipe casa-se com a princesa dos gregos e descobre-se que o cavalo era o irmão dela, que se destransforma após todos os perigos.

A visão de MacConglinney - um rei passa a sentir tanta fome que começa a devorar toda a comida do reino. Um sábio, para curá-lo, amarra-o na cadeira e conta sobre sua visão de uma terra cheia de comida, até que um demônio faminto sai do corpo do rei, em um exorcismo moderno, e é morto.

O sonho de Owen O'Mulready - é a história de um rapaz que deseja ter sonhos, tem um pesadelo e nunca mais deseja outros sonhos. O curioso deste conto é a menção de Maria e José na fala dos personagens, indicando que com toda a certeza é uma história após a cristianização do povo celta.

Morraha - meio complexa, pois coloca uma história dentro da outra de maneira confusa, é a história de um rei que tem todos os filhos roubados ao nascer e estes lhe são devolvidos pelo herói da trama, auxiliado por uma raposa ("o cão ruivo") e pela sua espada de luz.

A história da família McAndrew - é a história de sete irmãos burros ao extremo, e como após a morte dos pais são enganados pelo vizinho e perdem tudo (seu último tostão é doado para que ele "encontre seus pés", pois todos se sentaram juntos e são incapazes de achar qual é qual).

O fazendeiro de Liddesdale - é o conto de um misterioso lavrador que consegue, de forma sobrenatural, cultivar todas as terras de um grande fazendeiro em troca de "tudo que couber em um feixe de cipó". Ao terminar, ele fabrica um feixe gigante com todos os cipós, o fazendeiro prestes a falir fala alguma coisa e - não entendi bem este pedaço - o lavrador misterioso explode, junto com a plantação.

A princesa grega e o jovem jardineiro - é uma história na qual um rei não quer que lhe roubem maçãs e manda o jardineiro resolver o problema. Seus filhos tentam, o mais novo dele faz amizade com uma raposa encantada e assim cumprem muitas missões (a raposa consegue levá-lo na velocidade do pensamento a qualquer lugar e o moço é meio desajeitado, tendo de buscar cada vez mais outras coisas para que consiga levar a primeira). No final, a raposa tem a cauda cortada (como o cavalo negro tem a cabeça) e descobre-se que ele era o irmão encantado da princesa. O príncipe-raposa se casa com a princesa de Grécia e o jardineiro com a filha do rei do começo da história.

O cão ruivo - conta as espertezas da raposa, o tal cão ruivo, que passa a perna em todos, até ao final ser morta pelo caçador. Parece a união de várias histórias de esperteza envolvendo a raposa.

Cabeça pequena e os filhos do rei - uma mulher teve uma filha, mas tornou-se viúva e tornou a se casar, tendo outras duas filhas que odiavam a meia-irmã mais velha (hum). As duas meninas é que chamaram a irmã de Cabeça Pequena, porque a achavam burra. Mataram a própria mãe, que apareceu para a filha na fora de um gato e a orientou a cuidar bem das irmãs. Cabeça Pequena salva as irmãs de diversos problemas, incluindo uma bruxa. Desta bruxa Cabeça Pequena rouba a espada de luz e um livro mágico, e graças a isso consegue bons casamentos para as irmãs. Ao final, descobre que a mesma bruxa cria um porco que é na verdade um príncipe e o desencanta. O príncipe se esquece de quem ela é, mas ela consegue lembrá-lo usando um feitiço, e então casa-se com ele e vive feliz para sempre.

DAÍ ESTIVE PENSANDO...



Há ainda mais mais uma meia dúzia de contos no livro, mas vou me abster porque são todos mais curtos e não apresentam nada de muito diferente dos acima - são histórias sobre como alguém obteve um galho encantado, ou as maravilhas que aconteceram ao que visitou a terra dos gigantes. Recomendo a leitura, mas estes exemplos foram o suficiente para me fazer refletir.

Uma coisa meio nada a ver, mas que achei legal, foi aparecer a Grécia nos contos. Já que o povo celta era contemporâneo (aparentemente), gostei de ver que achavam aquela cultura importante. Mas agora sobre os contos em si...

Com exceção
do conto do Jack (que parece muito com o Pedro Malasartes) e da história dos McAdrew, todos os outros contos tem magia e elementos sobrenaturais, mas nenhum deles conta propriamente com FADAS. Há algumas bruxas e alguns encantamentos cujo autor não é citado, mas fadas propriamente não. Até o conto que é só da raposa tem uma raposa que fala.

Os animais encantados são uma constante, como as raposas e as doninhas, e as pessoas que são animais também (a princesa e o sapo, oi?). Propp já tinha me alertado, mas inclusive a raposa e o cavalo são o mesmo tipo de personagem - irmão do rei -, tem o mesmo encantamento e se curam da mesma forma - cortando a cabeça ou a cauda fora. Até a poderosa espada de luz aparece em duas histórias diferentes.

Vocês podem ver aqui que na história da Cabeça Pequena usam o mesmo ardil de se esquecer e se lembrar da promessa de casamento através de feitiços que tem nas artes da Branca Flor (eu li essa história em uma coletânea do círculo do livro, a mesma onde tem o príncipe papagaio que a princesa precisa gastar sete sapatos e saias de ferro para desencantar).

Inclusive, a Cabeça Pequena tem uma semelhança óbvia com a Cinderella e com a Vasalisa, de um conto popular russo que eu não lembro aonde li pela primeira vez.

No livro da Branca Flor também tinha a história que o Pedro Malasartes encontra com um santo na estrada, ajuda ele e pede em troca pra fazer uma figueira, um saco e um banquinho dos quais ninguém pode sair sem permissão e passa a perna no diabo, a ponto dele se recusar a receber o Malasartes no inferno (evidentemente, essa história foi criada depois do Cristianismo). Acho que encontrei o tataravô das espertezas dele nos contos do Jack!


Uuufa, acho que por hoje chega...

Mas a verdade é que estes contos celtas não me parecem exatamente "contos de fada" como conhecemos hoje... mesmo que muitos deles apresentem elementos que identifico nas histórias. Terão "evoluído" deles? Ou eu estou confundindo a cópia com o original?

Acho que a origem dos contos de fada ainda precisa de um pouco mais de investigação.